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!! MeNiNa dE aMaRaLiNa !!
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A ferro e fogo, eu nasci. A ferro e fogo, eu morri. Mais de mil vezes
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Domingo, Setembro 21, 2008
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Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.
paulo, filipenses 2:3
Os dias tem sido de reflexão acerda da amizade. E eis que eles, os amigos, os verdadeiros, têm se aproximado aos poucos, novamente, depois de tempos sem saber a respeito deles.
Entre uma conversa e outra, descobrimos um pouquinho mais da vida daqueles amigos que já não sabemos ao certo quem são, mas que na essência trazem aquilo que sempre nos cativa: a verdade, o carinho, o respeito, enfim... tudo o que há de melhor no ser humano.
Mas conversando com alguns amigos, dias desses, relatos nos fizeram pensar sobre os atos de pessoas que causaram transtornos nos amigos. Casos em que existiram inveja, ciúmes, sentimento de posse, raiva ou rancor. Tudo o contrário daquilo que nos deixa feliz.
Não sei porque cargas d´água, mas eu sinceramente não tenho mais estômago para certas situações. Só de ouvir algumas histórias onde me narram situações em que alguém teve como objetivo prejudicar uma pessoa, de forma estrategicamente pensada mesmo, já passo mal.
Sei-lá, o ar fica pesado, a brisa já parece não bater no rosto, o sorriso já não fica estampado, o clima, no geral, fica chato, muito chato. Uma vez ouvi alguém citar o pensamento de um certo filósofo: "Pessoas inteligentes falam de idéias, pessoas comuns falam sobre pessoas"...
Eu nem diria que estaria aí o problema. Pra mim, se for falar de alguma idéia, que ela seja construtiva também. Mas se for falar de alguém, que seja de coisas boas, da alegria que alguém nos tras, da satisfação, do carinho ou da saudade.
Confesso que vira e mexe me vejo falando de alguém e juro que me policio o tempo todo para não deixar escapar um comentário estúpido ou que vá ferir a imagem de alguém. Aprendi que nessa vida devemos ser o que falamos e vice-versa e eu não quero ser uma mentira, nunca.
E quando vejo pessoas falando de pessoas, ou resgatando situações embaraçadas (para não dizer catastróficas) com detalhes de informações... sei-lá, tenho vontade de sair correndo. Claro que devemos estar abertos aos desabafos e acredito que quando esse tipo de conversa se instala, com certeza essa pessoa está precisando mesmo compartilhar com alguém essas suas lembranças ou mágoas - que no fundoooo, bem no fundo, ela ainda não se esqueceu, nem perdoou.
Eu acredito que a experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nesta tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
Mas acho que todos precisam exercitar o difícil hábito de "examinar-se", sempre. Porque todos os dias deixamos alguma impureza em nós. Algum restinho de coisa podre que não soubemos lapidar, apagar, ou simplesmente abandonar lá no passado.
É preciso olharmos pra frente, com coragem e fé. É preciso parar de carregar tanta dor, sofrimento, medo. Não devemos temer os que nos invejam ou nos fazem sofrer, devemos amá-los, suportá-los e principalmente, perdoá-los. O que cada um fez por nós, ele deve responder à sua própria consciência.
Deixe para se culpar por aquilo que você ainda não fez, pelas inúmeras vezes que não perdoou, que não estendeu as mãos, ou que nem mesmo deu um sorriso. A carga que carregamos de nós mesmos já é pesada o suficiente para nos atribularmos com o que pode partir de terceiros. Façamos primeiro a faxina em nós, e daí então estaremos preparados para julgar ou ser alvos daqueles que nos querem mal.
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Quinta-feira, Setembro 11, 2008
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"A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade"
(anônimo)
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Quinta-feira, Julho 31, 2008
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O felino tem a capacidade de aumentar a concentração e eliminar energias negativas.
anônimo
Todo dia é a mesma coisa. Quando abro a porta devagarinho para ela não fugir corredor a fora, na verdade ela está lá, deitada sobre a cama, encostada no travesseiro, pensando que é gente.
Os olhos entre abertos revelam o soninho e a preguiça de sair daquele casulo que só ela consegue formar, parecendo mais um bicho-contorcionista.
Mas ao longo do dia, eis que ela desperta. Sente o cheiro do almoço, me segue para todos os lados. O sossego só vem depois que consegue ganhar uma migalha qulaquer, mesmo que aquele alimento seja completamente diferente do que está habituada a comer: as famosas bolinhas de ração feitas especialmente para bichos como ela, filhotes!
E então, o resto do dia promete momentos de aventura. A corrida por debaixo da cama, o pulo pra cima da geladeira, a mordida na cabeça do pinguim, o esconderijo atrás do sofá. Mas ela gosta mesmo é da foca, aquele bicho safado que insiste em fugir de suas garras (cortadas estrategicamente, é claro).
E quando a tal da foca é jogada pra cima, ela fica maluca. Corre, pula, dá o bote certeiro. Tudo isso, longos minutos depois da concentração seguida de pêlos arrepiados e olhos que fitam a foquinha compenetradamente.
Ainda assim, ela não mia. As vezes até chego a pensar que é uma gata anormal, muda, como as pessoas que não falam. Porque quando escuto alguma coisa, parece mais um gemido do que um miado.
E isso só acontece quando ela é apertada estrategicamente na barriguinha, que deve ser seu ponto fraco e não resiste em pedir, por meio dos gemidos, que eu pare.
Mas ela é um barato! Se eu chego em casa a noite e ela está dormindo, os olhos ficam ainda mais cerrados, quase que totalmente fechados, lutando contra o poder da luz que atrapalha aquela vista incrivelmente favorável à escuridão.
Poucos minutos depois, eis que já está esperta. Mas a moleza ainda é sua principal característia. Uma mistura de Garfield com o Bola de Neve da família Simpsons.
Mas o companheirismo, diferente do que muitos falam a respeito dos gatos, é incrivelmente forte na Mafalda. Minha gata-bola, cor-de-rosa (ou sem cor definida) que adora dar pulos na janela (fechadas, é claro) em busca de mosquitinhos, marias-fedidas. Que não fica um dia sem se embolar no tapete, se enfiar algum lugar escuro e aconchegante (mesmo que esse lugar seja debaixo de minhas cobertas).
Mas ela é felina brasileira e não desiste nunca! E um dia ainda há de acabar com a foca, sua vítima número 1, que um dia ainda há de aparecer completamente estraçalhada pelos corredores de minha casa.
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Quinta-feira, Julho 24, 2008
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Não queiras ter o que ainda não pode ser, É possível crescer nesta hora, Mesmo quando o que amamos foi embora, A saudade eterniza a presença de quem se foi...
fábio de melo
É incrível como o ser humano não conhece a si mesmo. Por mais que acreditamos saber tudo a respeito dos outros, mas principalmente de nós mesmos, há momentos que nos surpreendemos com o que ainda há guardadinho lá no fundo do nosso coração.
Quando algum conhecido passa por momentos difíceis, estamos sempre com uma palavra pronta, na ponta da língua. Um consolo que acreditamos sermos capazes de fazer. Pobres de nós se soubessemos exatamente o que se passam nos corações tristes e imaginássemos o quão pequeno é o ato transformador no peito de alguém por causa de nossas palavras.
Até hoje eu não sabia o que dizer para alguém num velório. Sempre achei que a frase "meus pêsames" soaria tão informal, frio. Hoje descobri que soa mesmo.
Senti muito mais carinho e sinceridade àqueles que simplesmente me olharam e me deram um rápido abraço ou um forte aperto de mão. O olhar sério, de carinho e respeito também me foram suficientes para sentir o verdadeiro objetivo dos que ali estavam.
O velório, mais do que um local de despedida, deveria ser considerado um lugar sagrado, onde deveriam pairar o respeito pleno, a seriedade e o carinho com aquele que se foi. Não tive vontade alguma de sair de perto daquela tia que por tanto tempo esteve presente em minha vida. Em momentos de solidão e de necessidade.
Antigamente, quando eu ia em algum velório, não queria sentir nada. Tinha medo de sofrer, de chorar demais, de não conseguir aguentar a presença da morte. Hoje a sensação foi diferente porque mais que "aconchegante", foi linda.
A fé inabalável de uma pessoa pode iluminar corações dos que vivem ao seu redor. E foi justamente a sensação de paz, de um clima mágico e abençoado o que eu senti estando ali, ao lado dela.
Porque quando ela abria a boca para falar daquele Jesus tão querido que ela acreditava, a intensidade de suas palavras conseguiam me sensibilizar. Independente de religião ou credo, ela me fez enxergar, de uma forma ainda mais respeitosa do que enxergava, a religião das pessoas.
Então a tarde de hoje, assim como o tempo nublado, foi molhada, de chuva e de lágrimas. Lágrimas que não surgiam como resultado de um ato de desespero ou de dor insuportável, mas de lembranças maravilhosas e de um carinho tão especial que me fazia chorar.
Lembrar de sua alegria, suas palavras, sua preocupação comigo... Tudo isso me fez sentí-la ao meu lado, mesmo sabendo que ali naquele corpo já não havia mais vida.
Porque para mim, apesar da beleza que ela trazia no rosto, a verdadeira vida de minha tia, já estava distante dali. Estava descansando nos campos iluminados e cheios de paz, assim como ela acreditava.
E não teve uma só pessoa que não falou exatamente a mesma coisa dela: "Era uma mulher de muita fé". E foi por isso, que a tarde foi repleta de cânticos, louvores, bençãos e palavras de amor e carinho.
Uma despedida mágica, que deixou a todos com a certeza de que ela está muito mais feliz agora do que ontem. Muito mais alegre, disposta, e em condições de fazer tudo aquilo que ela já não conseguia mais.
E assim o dia terminou, com a garoa fina, os olhos inchados de tanto chorar, a dor física na cabeça mas a tranquilidade no coração diante da certeza de que a verdadeira vida, de quem amamos, permanece eternamente em nossos corações.
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Quinta-feira, Julho 17, 2008
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Vim da parte de Deus; nada tenho que fazer aqui; mandai-me de novo a Deus, de quem vim.
joana d´arc
E logo eu, que gosto tanto de ler sobre os santos e também sobre a história da humanidade, não sabia que Joana D´Arc havia sido canonizada pela igreja Católica.
Tá, eu sabia de todo o resto, do quanto ela foi corajosa, intuída por anjos (ou espíritos como alguns preferem, por meio de sua mediunidade) e queimada viva na fogueira por acreditarem que ela fosse uma bruxa.
Desde que me conheço por gente, quando escutava a história dessa jovem, ficava impressionadíssima. Pensava no quanto ela foi corajosa em viver a sua fé com tanta intensidade e coragem numa época onde ainda havia muita ignorância, brutalidade e maudade.
A descendente de camponeses, gente modesta e analfabeta, foi uma mártir francesa e canonizada em 1920, quase cinco séculos depois de ter sido queimada. A data em que a igreja católica comemora seu dia, é no 30 de maio.
Mas foi só num sítio, bem no interior de São Paulo, que conheci um pouco da história dessa santa. Eu não costumava chamá-la assim não. Mas ao ver meu tio tão devoto e com tanta fé diante da santa, passei a adotar o carinhoso chamado.
Quando pisei naquela casinha antiga, com a data de 1932 pintada na parte superior da porta - talvez porque naquela época se construíam casas assim, da mesma forma como construiam casas com aquelas imagens de santos próximo ao telhado da casa - me deparei com um grande altar, cheio de imagens. Então, pensei comigo: "nossa! meu tio é uma pessoa super religiosa, que bacana!"
É que as más línguas da família nos fizeram crer desde pequenos que esse tio em especial, dos pouco mais de 10 irmãos do meu pai, era o cara mais chato e ranzinza do universo. Mas, não foi essa figura que encontrei por lá.
Alojado em sua casa simples e despreocupado com a barulheira e a movimentatção da cidade grande, ele optou por ficar lá, no meio do nada, mais pertinho de Deus. Só ele, a terra e as estrelas.
Então cheguei nele e perguntei: "Qual de todos esses santos você gosta mais?" Se é que se deve fazer uma pergunta dessas para alguém que acredita tanto em Deus e nos santos. Mas eu não resisti por conta da quantidade de imagens que lá eu vi. E a imagem de Joana D´Arc realmente tinha me chamado muita a atenção.
De acordo com a ordem ele mantém em seu altar: Nossa Senhora da Aparecida; Santa Luzia; São Jorge; Sagrado Coração de Maria; Sagrado Coração de Jesus; Divino Pai Eterno e ela, a Santa Joana D´Arc.
Mas então ele olhou bem pra mim com aquela cara de desconfiado e respondeu: "Santa Joana D´Arc". Achei o máximo. Principalmente depois de saber que ele já havia feito até promessa para Nossa Senhora da Aparecida e pago a dívida inclusive.
E não era porque ele estava fazendo pouco caso da Aparecida, mas ele quis ressaltar o carinho especial por Joana D´Arc, ou como ele fez questão de dizer: Santinha Joana D´Arc!
Então fui buscar na internet saber um pouco mais dessa mulher que se tornou santa e encontrei a oração, que revelam palavras encorajadoras, veja:
Oração a Santa Joana D´Arc
Ó mais pura Virgem e Gloriosa mártir Santa Joana da qual Deus e Seu Eterno Poder tem revelado para o mundo de modo a reviver a fé, a esperança e a caridade das almas cristãs. Eu me prostro a vossos pés minha querida santa, digna, virgem, cheia de graça e bondade e peço que receba as orações deste seu humilde servo e obtenha para mim a pureza de teu terrível sacrifício e a fortaleza de sua alma e faça com que eu resista aos mais terríveis ataques e que eu venha a sentir este seu amor ardente para o Nosso Senhor Jesus Cristo, amor este que os mais terríveis tormentos não o fez extinguir em ti .
Assim espero que seguindo este exemplo santo e imitando sua vida, eu possa um dia estar contigo no paraíso. Na hora de minha agonia final venha em meu socorro, fique ao meu lado e me conduza a presença de Jesus. Amém.
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Segunda-feira, Julho 07, 2008
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Poeira entra em meus olhos, não fico zangado não. Pois sei que quando eu morrer meu corpo vai para o chão. Se transformar em poeira, poeira vermelha, poeira... poeira do meu sertão...
jon lemos / roberto côrrea
Café fresquinho passado na hora. Pão de queijo. Fotos antigas, histórias mal contadas, esclarecidas. Relatos de uma família grande, mineira, simples, de roceiros.
Diante dessa realidade que muda minha rotina, as horas ao lado de parentes mais próximos, porém afastados por meio da distância, foram vivenciadas na mais pura plenitute.
Horas alegres, risos verdadeiros. Rugas no rosto de um tio mais velho, cheio de experiência de vida. Santos no altar protegem a casa de chão batido, o fogão de lenha, portas e janelas de madeira.
A vida no campo é simplesmente mágica. Em cada canto de uma casa somos capazes de encontrar uma energia, uma sensação de paz. O barro, a lama ou o pó seco nem me incomodam. Não ligo de sujar a roupa dessa poeira vermelha, da terra de onde brotam os alimentos, a água.
Estive numa cidadezinha chamada São José de Boa Vista, interior de São Paulo, onde os moradores são muito mais mineiros que paulistas. E isso tudo me encanta profundamente.
O cigarro de palha, o cheirinho do café, a lentidão dos passos e a calmaria de achar que o tempo conta com minutos e horas diferentes, que soam num tic-tac mais lento.
Para urbanos como eu, é necessário um treino de paciência para saber aprender a cultivar esse tempo mineiro. Mas eu fiz questão de vivenciá-lo, sem pressa. Porque quando você toca naquela terra, parece que o mundo pára e o tempo gira no sentido contrário.
Sim, estive longe de celular, tecnologia, tudo. Foi por pouco tempo, mas foi muito bom. Ver a água da pia indo para a fossa, rever banheiros antigos, casa sem forro, chão batido, gretas por onde assobia o vento, toalhas de mesa suja por conta da poeira.
Saí de lá renovada e emocionada. Levei comigo um tantinho desse mundo roceiro e simples, que tanto gosto de experimentar. Guardei no coração a lembrança de um sorriso velho, cheio de rugas, que relembra histórias de uma família um dia desunida, mas que hoje, busca o reencontro.
Quando nos deparamos com nossas raízes, parece que encontramos um pedaço de nós que havia se perdido no tempo. Um outro eu que deixamos de lado e que só buscamos reencontrá-lo quando a vida nos mostra o verdadeiro sentido de vivê-la.
Espero um dia voltar, ainda mais perto dessas lembranças. Sentar mais uma vez no degrau da porta sem me importar com a sugeira. Ligar o rádio antigo que toca a música sertaneja entre os ruídos da falta de um bom sinal. Sentir o cheiro da fumaça da palha misturados com o da terra molhada ou até mesmo seca, sem me preocupar com a possibilidade de sujar meus cabelos, mas com o coração feliz em sentir toda essa simplicidade da vida do campo.
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Domingo, Junho 29, 2008
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Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida.
fábio de melo
Há coisas na vida que não são para serem explicadas ou compreendidas, mas simplesmente para serem vividas. Aprendi isso há pouco tempo, pouquíssimo aliás. E já me vejo extremamente encantada com a experiência que posso vir a ter por conta disso.
É que tem vezes que somos teimosos. Brigamos com o mundo, com as pessoas, com as situações. Insistimos em erros, nas falhas. E eu, cansei de errar.
Diante de novos horizontes, a vida sorri pra mim. Sorri de forma plena, como sempre almejei em minha vida. E não pense que isso é simples ou fácil. O sofrimento chega forte, mas se instala de forma reconfortante, como algo necessário e importante.
É que como eu disse, há coisas na vida que não se explicam nem se compreendem, apenas se vive. As maravilhas que esse momento de desafio me propõem, surgem como um "trampolin" para uma nova etapa, a etapa da luz.
Imagine um caminho cuja estrada é tortuosa, cheia de buracos e plantações que te impedem a vista. Pois é. Saí dessa rota e parti para outra estrada. Ela é dura, mas é lisa e muito clara. Me permite ver o horizonte, e ele é lindo, cheio de luz, nuvens, azul.
Me encontro pequenininha no meio dessa estrada, sozinha. Com uma bagagem extremamente pesada, agarrada no peito, me lembrando todo dia o poder da dor. Meu desafio é percorrer todo esse chão a pé, com todo o peso, devagarinho ou correndo, não importa como. O importante é ter forças para enfrentar meu próprio peso.
Por isso algumas coisas precisam ficar no caminho, não dá pra levar conosco. Precisamos guardar coisas leves e lembranças boas, fáceis de carregar, se não, o seguir fica difícil demais.
Estou pronta para enfrentar essa nova estrada e tenho tanta fé que no percursso tudo vai dar certo, que só me vejo motivada em olhar para frente, para o céu e me encantar com a beleza do horizonte que me aguarda.
E quando conseguir chegar lá, aí terei forças para voltar tudo de novo só para levar comigo aqueles que estiverem precisando de ajuda, de apoio para carregar as pesadas "bagagens".
Também poderei ensiná-los, orientá-los a escolher o que fica e o que segue, o que pode ser e o que não os ajudará. E ficarei ainda mais feliz em poder trilhar por essa estrada junto de mais gente. E isso tudo deve acontecer na medida que Deus achar que é a hora. Mas com certeza, estarei, feliz, esperando.
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Terça-feira, Junho 17, 2008
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Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio.
santo agostinho
Tem dias que nos sentimos inacabados. O semblante muda, o riso é fraco, a luz já não brilha tanto. No meu caso então, é inevitável o disfarce. Qualquer um percebe, qualquer um vê.
As horas demoram a passar quando você não está satisfeito com aquele momento. Os minutos perto de pessoas que você deseja estar junto, são rápidos, voam. E a sensação de ter deixado algo inacabado, é constante.
Tem dias que nem a beleza do sol consegue nos fazer sorrir. As vezes, brincadeiras tolas, comentários bobos conseguem chamar nossa atenção para dias como esses. E é tão bom perceber que existem aqueles que se preocupam...
Algumas pessoas entram em nossa vida por algum motivo. Aliás, não existe o acaso. Elas surgem com um propósito e se manifestará em nossas vidas em momentos que precisamos delas. E mesmo que permaneçam pouco tempo perto de nós, são capazes de transformar minutos de tristeza em constantes alegrias. Sensações de riso que permanecem dentro do coração mesmo quando saímos de perto.
Acredito que essas pessoas chegam para ficar, pra sempre. Mesmo que esse "pra sempre" aconteça em momentos exporádicos e breves, ao longo de uma vida inteira. São pessoas que torcemos por encontrá-las.
Dias desses eu estava assim, sem luz. Eu que sempre quis e fui motivadora de diversos sorrisos, me vi inacabada em mim. Sem fôlego, sem condições de ao menos sorrir.
É que existem alguns momentos que a vida nos bate de frente, sem dó nem perdão. E nessas andanças, há tombos que nos colocam tão caídos que fica extremamente difícil recomeçar.
Mas, quando a dor faz alvoroço, precisamos desbravar outros universos, aprender ser trovador. E aos poucos vamos nos transformando em um pouco dos outros, que acabam ficando em nós. E também deixamos neles um pouco do que somos.
Mas, quem sou eu para conseguir compreender esses mistérios da vida. Sofro as dores e o risos de outras graças, sempre sem conseguir entender. E assim, nessas misturas tão bonitas, de dores e alegrias, vamos seguindo, juntando os cacos que ficaram pelo chão e dispostos a continuar, sempre.
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Segunda-feira, Junho 09, 2008
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Não te preocupes tanto com o que acham de ti.
Quem geralmente acha, não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem sempre tu revelas.
fábio de melo
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Quarta-feira, Maio 28, 2008
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Põe quanto és No mínimo que fazes.
fernando pessoa
Colocar o máximo que somos, naquilo que a gente faz. Essa frase não é extraordinária? Faz pouco tempo, lendo um livro de Fernando Pessoa, encontrei esse pensamento maravilhoso, que para mim é a melhor tradução de plenitude.
O mais bacana é que se formos parar para analisar, os tempos não têm contribuido para as pessoas se tornarem humanos, plenos de verdade. Hoje em dia, apesar de existir pessoas maravilhosas no mundo, extremamente bondosas e caridosas, ainda existem muitos que almejam o bem somente para elas. O egoismo e suas mazelas, estão presentes em todo lugar. As pessoas vivem querendo ser algo que não são de verdade.
É triste ver o quanto essas pessoas sofrem por não perceberem que estão deixando de ser elas mesmas, simplesmente por buscar ser algo que os outros escolheram para ela. Estou lendo um livro maravilhoso que traduz muito de tudo isso aqui que estou querendo dizer: uma pessoa só se torna plena quando é dona de sí, de verdade.
Quanta coisa a gente ainda não tomou posse e que está aqui dentro da gente? Resquícios no peito que vivem esperando que tomemos conta de nossa vida e paremos de nos preocupar com a vida alheia? Ser pleno é sabermos lidar com as emoções mais particulares. É evitar dizer sim onde deveríamos dizer não.
Quando dizemos quem somos, também dizemos quem não somos. Sendo assim, tomamos posse do nosso território, somos nós mesmos. Não somos nós quando deixamos pessoas invadirem nosso "terreno". Esses instrusos, que muitas vezes se manifestam como "amigos", entram sem bater, mandam, desmandam e depois vão embora. As vezes, até mesmo levando um "bocadinho" da gente.
Quando somos donos de nós, conseguimos delimitar nosso território, não abrimos mão de cuidar do que é nosso, de cuidar dos valores que adquirimos. Hoje em dia, é comum as pessoas não conseguirem tomar conta delas mesmas. As pessoas usam máscaras, fingem ser o que não é para satisfazerem os outros. Aliás, elas nem se importam em refletir sobre isso.
Mas tomar posse do que se é dá muito trabalho, não é fácil. Por isso, normalmente, por mais que a consciência dá sinal de alerta, as pessoas preferem fugir dessa responsabilidde. Porque para ser pessoa de verdade é preciso investigar o território humano, saber porque aquela raiva foi tão violenta ou porque existem partes desse território que a gente não suporta sentir ou perceber.
Enquanto vivermos haverá partes em nós que precisaremos tomar posse. Quando sabemos que nos amamos? Quando temos, nó mínimo, uma certa disciplina. Tomar posse daquilo que se é, é investigação constante para que você não morra com seus valores engavetados, esquecidos, largados.
A pletinute acontece quando uma pessoa é dona de sí e também se disponibiliza aos outros porque ser pessoa é descobrir, cultivar, para que outros sejam beneficiados com aquilo que eu sou.
Se pararmos para nos avaliar, verdadeiramente, podemos refletir em divagações que levarão a respostas importantes para nos conhecermos. Quantas marcas negativas não estão em nós? Isso normalmente acontece justamente porque as pessoas não se possuem, não se conhecem.
As vezes somos invadidos, tomados, sequestrados e a invasão é tão rápida que ela pode vir com a força de uma simples palavra, ou de um olhar. Quando não nos possuímos, temos dificuldade de ser para o outro. E quando somos para o outro sem nos possuir, corremos o risco de nos machucar e ferir o outro.
Quantas vezes deixamos de ser pessos porque ficamos preocupados com o que os outros estão dizendo de nós? As agressivas mensagens vão nos chegando meio que por osmose, mas chegam assim: "seja artificial", "cuide da vida do outro", "diverte-se com a vida dos outros", "alegre-se com a tristeza do outro", "tenha prazer com os prazeres dos outros..."
Com o tempo, tropeços e tristezas, começamos a perceber que só quem espera sabe conquistar. As pessoas que fazem diferença na vida da gente são aquelas que nos conquistaram e onde é que mora a conquista? Na capacidade de olhar o outro e de permitir que ele seja ele, e de interferir na vida dele para que ele possa crescer com a nossa presença, e com o nosso jeito de ser na vida dele.
O milagre mais bonito da existência que podemos realizar na vida do outro é o amor. Não é fantástico quando olhamos para alguém que nos ama e perceber que ela extrai de nós a nossa melhor parte? Não falo de amor de paixão, anamorados, nada disso. De amor de verdade, do bem na sua mais bela manifestação.
Aliás, como está a nossa capacidade de amar? Será que não temos buscando nos outros o que nos falta? Precisamos dispor de nós mesmos e estar livres para sermos alguém importante para os outros. Porque se formos parar para analisar mais uma vez, o que é que temos feito nessa vida que não seja o que todo mundo faz? Temos sido realmente importante para alguém? Confesso que credito, de verdade, que esse é o principal objetivo de estarmos neste planeta.
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Quarta-feira, Maio 07, 2008
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O segredo da existência humana consiste não só em viver, mas ainda em encontrar um motivo para viver.
dostoievski
Dias nesses, num encontro de um grupo de voluntários que faço parte, pudemos vivenciar fortes emoções. Talvez nem para todos, mas para eu - que me considero super emotiva - foi bem sensibilizador.
O objetivo de encontro foi o de poder proprocionar um encontro com os antigos voluntários do grupo e também poder rever aqueles que não encontramos em todas as atividades. Jovens e velhos compartilhando um pouquinho do que sabem, do que já puderam experiementar no nosso belo trabalho além de escutarmos palavras motivadoras para continuar com nossa meta.
Como em todos esses encontros, um convidado especial sempre nos ministra uma palestra - ou um bate papo - sobre temas específicos em que possamos refletir e compartilhar mais um pouquinho de nossas emoções e sentimentos, principalmente pelo fato do trabalho desenvolvido pelo grupo estar diretamente ligado ao relacionamento com as pessoas.
Mas foi bem bacana e gostoso. No final, como de praxe, comes e bebes para um momento de confraternização. Até parabéns para os aniversariantes do mês rolou. Apesar do encontro ter sido em abril, ainda comemoramos os felizardos do mês anterior e eu estava no "bolo" - literalmente (se é que vocês me entendem, hehehe).
Bom... mas escrevi tudo isso para dizer que vou deixar aqui registrada a bela mensagem que lemos durante a reunião. Além de linda, nos faz refletir um pouco sobre como estamos deixando o rumo de nossas vidas tomar. Eu fiquei feliz por perceber que bastante das coisas lá escritas, eu já faço com muita naturalidade. Sendo assim, considero-me uma pessoa bastanta feliz, graças a Deus! E você? Dá uma olhadinha no texto:
Seja Feliz
Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça que sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode evitar que ela vá à falência.
Gostaria que você lembrasse de que ser feliz não é ter o céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo e amor nos desencontros...
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender as lições no fracasso. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro de seu próprio ser...
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar o autor do própria história. É ser grato a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem pra ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles o magoem...
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você". É ter capacidade de dizer "eu te amo"...
Que nas suas primaveras você seja amante da alegria. Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria. E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo. Pois, assim você será cada vez mais apaixonado pela vida. E descobrirá que...
Ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas, é usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo. Jamais desista das pessoas que você ama. Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível. E você é um ser humano especial!
(Autor Desconhecido)
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Segunda-feira, Abril 28, 2008
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O orgulho dos poetas não passa de defesa; a dúvida atormenta até mesmo os melhores; eles necessitam de nosso testemunho para não se desesperarem.
françois mauriac
Pra começar esse post, que com um certo desânimo "posto", dias sem passar por este blog, tirei as áspas dos versos. Acho que fica melhor assim. Não acho mais necessário já que todos que passam por aqui já perceberam que essas frases em negritos nunca são minhas, e sim de autores especificados logo em seguida das mesmas.
Pois então. Hoje eu quero falar de poesia. Acho que é a segunda arte que me atrai depois da música. É, desde muito novinha eu já me via perdida em meios aos livros dos poetas mais loucos. Alguns deles eu fui atrás de perceber que na biografia de alguns eram citados nomes como Willan Blake, ou Jack Kerouack que nem é tão poeta assim, mas um escritor muito polêmico, o famoso precurssor da "geração beat".
É, eu gostava de ler tudo que era poesia. Nem sabia quem era o cara, bastata estar escrito em versinhos ou simplesmente apresentando uma rima que já me atraía os olhos. Era capaz de perder horas lendo livros empueirados, com páginas amarelas e nomes de autores que nunca ninguém havia comentado para mim um dia. Mas como tudo se perde na vida, o tempo foi tomando um pouco do meu amor pelas letras e hoje confesso que nunca mais escrevi como antes escrevia.
É, eu escrevia poemas, acredita? Tenho uns montes guardados à sete chaves, para ninguém ver, só eu. Para que adianta então né? Sei-lá, talvez para um dia eu mostrar para meus netos ou para alguém interessado em ler poeminhas de amor, solidão, loucuras, desejos, sensações, e outros momentos vivenciados por mim no início da "aborrecência", quando me sentia a mais dark de todas as meninas da minha idade.
Hoje em dia, confesso que nem sou mais fã de roupa preta. Nada contra quem gosta, mas prefiro um verde ou azul. Sei-lá... a época dark não me trazem boas lembranças e desde que passei a usar roupas mais coloridas, até minhas poesias mudaram o teor. Mas, dias esses, passando pelo Bosque Central - é aquele mesmo infestado de coco de pombas - vi um cara vendendo poesias, como há muito não via antes.
Em Curitiba isso é muito comum. Sempre tem um doido por lá vendendo seus escritos e pedindo a nossa colaboração pela sua arte. Eu acho isso o máximo, por isso sempre compro. Acho que os caras devem fazer isso mesmo, ir a luta, pedir ajuda para tentar fazer com que seu trabalho dê certo.
Com o nome "En passant", o folhetinho do poeta apresenta cinco poesias, bem legais por sinal. A verdade é que como não sou crítica, nem a melhor das leitoras, nem muito menos sei explicar qual poema é melhor que o outro - se o que tem riminha ou se o que condiz com algum sentido - para mim, toda poesia é bela. Acho que só pelo fato do cara parar para escrever poema e pensar em transmitir seu poema à terceiros, já faz com que eu goste de todo tipo de poesia.
Um dos escritos do autor começa assim: "Era meio dia, e um homem vendia, na Avenida Paulista, poesia. O sol ardia, no meio dia, e aquele homem vendia na Paulista, poesia". Bonitinho né? Gostei. Bom... para quem quiser conhecer as poesias do cara, tem o contato dele no folhetinho e segundo ele me disse no dia que eu "colaborei" com a sua arte, ele estaria prestes a lançar um livro. O contato dele é pelo email: icarusdei@hotmail.com, e eu vou deixar um poema inteiro aqui para a apreciação de vocês:
En Passant
A vida é a arte
de caminhar sem preocupações
de um instante para o outro
o mistério da transição
passam todas as coisas
milésimos de segundos
separam
o começo do fim
tudo parece oscilar
o mundo está sempre fugindo
tudo escapa pelo vão dos dedos
A vida é mudança
de um instante para...
segredos, evolução
de um instante...
gritos contidos, mutção
de um... (en passant).
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Domingo, Abril 13, 2008
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Há música em mim
Quando acordo cedo
A música em mim
Finge não ter medo
Há música em mim
Quando dói o dente
A música em mim
Age normalmente.
fred martins
Juro que às vezes não me acho normal. A primeira coisa que penso em fazer ao acordar, é escutar música. Nem me espreguiçar direito ou lavar o rosto eu faço. Nada. Tudo o que penso é em escutar música.
Mas o dia de hoje foi gostoso. Dormi como há dias não dormia. Acordei perto do meio-dia, com o corpo todo doendo, de tanto ficar deitada. A verdade é que eu adoro acordar cedo, mas tem vezes que a gente precisa extrapolar um pouco. Principalmente naqueles dias que não temos compromisso marcado, hora certa pra chegar, algo assim.
Então acordei tarde, cheia de preguiça e fome. Mesmo assim fiz o que meu coração manda. Liguei o computador e conectei o site da Rádio Eldorado de São Paulo. Fazia tempo que uma pessoa havia comentado para mim dessa rádio e eu sempre esquecia de acessá-la. Nossa, a rádio é muito boa.
Lá toca de tudo e tudo muito bom. Quem quiser conhecer entra lá: www.radioeldoradofm.com.br. E olha que a rádio existe há 50 anos heim. O bacana é que apesar de ser FM, rola uma programação bem diversificada e bastante noticiário entre as músicas. O que não é muito comum nas FMs de hoje em dia.
Mas é muito bom acordar cedo (ou melhor, tarde) sem ter que cumprir horário, fazendo tudo na lentidão do seu corpo que ainda está acordando, de acordo com os seus movimentos. Na verdade eu nem conseguia ficar mais na cama porque eu realmente estava com o corpo doendo, então fui curtindo o som no balanço das atividades normais de quem acaba de acordar: banho, escovar os dentes, etc.
As manhãs de domingo costumam ser diferentes para mim. Sempre lembro de quando ainda era pequena que era dia de ir na missa. Antes de chegar na igreja, uma passadinha na feira era tradicional. E sempre acabava chegando atrasada, me deparando com o salão lotado. Daí não conseguia lugar para sentar e ainda ficava brava, com vontade de ir embora.
Hoje em dia, os domingos tem sido uma correria só. Quase nunca estou com o dia liberado, sem ter nada o que fazer, e isso as vezes me cansa. Tá, é verdade que eu sempre procuro "sarna pra me coçar", mas há momentos que precisamos descansar um pouco. Fazer assim como fiz hoje, acordar só quando não aguentar mais manter os olhos fechados.
A verdade é que eu acho um desperdício acordar tarde em pleno domingo. Para mim, aos domingos, o sol parece brilhar mais forte, mais bonito. As ruas levam brisas fresquinhas, sem movimentação de carros, sem poluição de escapamentos. Para mim, domingo é dia de sentar na grama fresca, passear com o bicho de estimação, fazer pique-nique ou visitar alguém num hospital, num asilo, algo assim.
Tenho estado tão atribulada com coisas minhas que há tempos não faço nenhuma dessas atividades que acabei de citar. E já tenho me sentido chateada por isso. Próximo domingo que eu estiver a toa, vou escolher uma dessas da lista e acordar bem cedinho, ao invés de ficar com o corpo doendo de tanto dormir.
É.. até que foi bom porque me sinto revigorada. Estava precisando dormir assim, extrapolar as horas, olhar no celular e levar um susto quando ver que já são 11h30. Mas tudo o que é demais também não é bom, não é verdade?
Por isso acho que não sou tão normal em relação ao meu desejo pela música. Acordar ao som de uma música qualquer de Caetano ou um balançar um pouco mais forte de Zélia Duncan é super legal. Cito o nome deles porque foi o que escutei hoje cedo, mas adoro muitos outros cantores, muitas outras bandas ou grupos. A gente fica com a música na cabeça o dia todo, cantarolando, até arrumar outra coisa pra pensar.
Acho que enquanto eu existir, músicas me rodearão, por toda parte em que estiver. E se alguém que goste de mim não gostar de música, acaba gostando, de tanto escutar eu cantarolando ou pelo menos passa a conhecer um pouquinho de alguma coisa sobre música, meio que por osmose, até que fique com raiva de mim ou da música.
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Terça-feira, Abril 08, 2008
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"Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho"
clarice lispector
Faz tempo já, eu estava passando ali perto do Sesc da Fernando de Noronha e avistei uma fila de "fuquinhas" que me chamou a atenção. O carrinho que lembra um "besourão" é realmente fofo não é mesmo? Achei o maior barato eles estarem assim, coincidentemente enfileirados. Então não resisti e fotografei.
Eu só não fotogrado outras coisas suuuuuper legais na rua porque tenho medo de andar por aí com a máquina. Justamente eu, que ando a pé pela cidade toda, acabo flagrando cenas super legais, mas que não dá pra registrar.
E quando eu tenho algum compromisso em algum lugar láááá longe, sempre tem alguém que me pergunta: "Por que você ainda não tem um carro?" Sinceramente, nem eu sei, mas confesso que curto dirigir.
A verdade é que tenho tantos sonhos mais importantes, materiais ou não, que eles ocupam muito mais a minha mente do que a possibilidade de comprar um carro. Tá, eu sei que é hoje em dia é uma necessidade - mesmo havendo aquelas pessoas afrescalhadas que ainda insistem em comprar grandes veículos só para exibir às menininhas afobadas por um passeio noturno.
Eu confesso que se eu tivesse um "fuca" acharia o máximo. Mas é que eu sou tão sossegada quando a isso, que nem me importo de andar a pé. Quando a gente caminha pelas ruas da cidade, acontece tanta coisa bacana em nossa volta. A gente encontra pessoas que há tempos não vemos, ajudamos alguém que quer atravessar a rua ou até mesmo carregar alguma coisa pesada, avista uns bichinhos - gatos ou cachorros que as vezes famintos a gente consegue ajudar.
O máximo de andar pelas ruas também é poder encontrar cenas assim, inusitadas, engraçadas, bonitas. Eu não posso ver uma flôr ou uma planta qualquer um pouco diferente ou chamativa demais que logo paro para ficar admirando.
Mas a vida motorizada hoje em dia deve ser muito difícil. Só para atravessar a rua a gente já se estressa, imagina para o povo que dirige o dia todo pelas ruas da cidade? NOssa, deve ser bem estressante mesmo.
Eu sou a famosa "dominguera". Não que eu goste de dirigir só aos domingos, mas gosto de dirigir a passeio. Sabe quando você pega o carro e sai por aí, só para curtir o passeio? Pois é. Acho que quando eu comprar um carro vou ter que me concentrar muito porque qualquer coisa legal que eu aviste na rua, pararei para admirar, e então, esquecerei de avistar as coisas mais importantes como um sinal vermelho ou um cãozinho atravessando minha frente.
Esses dias quase fui atropelada escutando meu MP3. Tá certo, mais uma vez eu não estava prestando atenção. Confesso que fiquei muito brava com a "buzinada" que eu levei na orelha. Mas se eu fosse o motorista faria o mesmo. Eu realmente estava muito desatenta.
Mas imagina eu num fuquinha? Hum... ia ser muito legal. Ainda mais se ele fosse amarelo. Acho que preciso rever meus sonhos e prioridades. Afinal de contar um fuquinha não deve ser tão caro assim não é mesmo? O problema é que, reza a lenda, que o fusca tem alguns sérios problemas, entre eles: quando o carro se envolve num acidente, a porta abre com facilidade. Isso significa que se por um motivo estúpido qualquer eu ter deixado de colocar cinto de segurança posso ser arremessada para fora do carro.
Outro problema é que ele é um dos carros mais fáceis de ser roubado. Tá, mas quem é que vai quere um fuquinha? Ixiiiii, mas tem heim... Outra coisa é que ele parece um ovo e eu confesso que balisa não é comigo. Imagina eu tentando estacionar um carro desse? Como saberia se a ponta (?) do carro está de acordo com o meio-fio ou perto do carro de trás? Ou da frente?
Acho que vou continuar apreciando o fusquinha assim, de longe. Mas que ele é um carrinho que eu acho "fofo", isso é. Um dia quem sabe eu providencio um daqueles modelos novos sabe? É, daqueles beeeem caros... (rs...) Nossa... daí eu acho que já estou sonhando demais.
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Sexta-feira, Abril 04, 2008
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"Errar não é humano, depende de quem erra, esperamos pela vida, vivendo só de guerra"
múmias - biquini cavadão
Mesmo antes de existir esses malditos MP3s, eu já era viciada em música. Andava pelas ruas da cidade com meu cabelão estilo "black power" (ou talvez mais para cantoras como a Gal ou Bethânia) com aqueles fones de ouvido grandões, que no fundo eu tinha vergonha, mas que não conseguia largar.
O famoso walk-man da época, era pretinho, a cor que eu mais gostava e que mais marcava presença no meu guarda-roupa. Eu me sintia uma menina má, má mesmo! Só queria escutar rock and roll de verdade, "das antigas", não valia ser nenhuma música que tivesse sido feita a partir da década que nasci. Eu me sentia uma rebelde. Rebelde sem causa, é lógico.
Mas a verdade é que a música sempre esteve presente na minha vida. Atualmente ela marca presença de forma mais equilibrada, sem exageros. Antes, eu vivia, respirava, almoçava, dormia música. Hoje, não. Hoje ela me acompanha, por meio do meu MP3 lilás - made in japan - quando circulo pela cidade na correria do dia-a-dia.
No fundo, no fundo, sei que eu curto andar com esses fones de ouvido "pra-lá-e-pra-cá" porque eles me fazem sentir mais a vontade na hora que eu fico cantarolando. Dessa forma, quem me ver balbuciando por aí, pelas ruas da cidade, além de não conseguir me chamar (porque eu não vou ouvir) vai saber que é porque estou reproduzindo o som que escuto. Se eu não estiver com eles, cantarei do mesmo jeito, só que sozinha, consequentemente, ficarei tímida diante dos transeuntes que passarem por mim.
Mas a verdade é que hoje eu estava escutando uma das milhares de músicas nacionais que eu curto, qundo chegou a vez de uma do Biquini Cavadão. O nome da letra - "Múmias" - me fez pensar em várias coisas que tenho divagado nos últimos dias. Nossa... as vezes os seres humanos não passam de múmias, não é mesmo? É, e eu me enquadro nisso.
Acorda, levanta, trabalha, estuda, dorme. Acorda, levanta, trabalha, estuda, dorme. Quer dizer. Não que pareça uma múmia no sentido literal da palavra, mas no sentido "abestado" da coisa. A letra diz: "Bem aventurados sejam aqueles que amam essa desordem, Nós viemos a reboque, este mundo é um grande choque, Mas, não somos desse mundo, De cidades em torrentes, De pessoas em correntes".
O que eu acho bacana é quando nós, seres imperfeitos, "abestados" por assim dizer, que possuem uma porcentagem limitada de uso do cérebro, passa a raciocinar e almeja por mudança. Aííííí sim.
Tá, eu sei que é foda. É tudo muito difícil mesmo. Tem gente que não sabe nem por onde começar as mudanças. Mas viemos e voltamos... chega um dia que sentimos necessidade de sair da inércia, não é mesmo?
Pois então. Hoje, escutando essa música, fiquei de certa forma, feliz. Feliz porque tenho acompanhado progressos, pessoas que buscam realizações, querem mais, não têm se contentado com pouco. Pessoas que já se cansaram de sofrer, de se lamentar e que agora está deixando o sarcófago.
Elas estão em busca da luz do sol, do brilho das estrelas, do sorriso da criança, da alegria dos amigos, dos verdadeiros prazeres da vida. Eu fico ainda mais feliz em poder compartilhar e compactuar com essas mudanças. Na verdade, mais que isso, sinto-me de certa forma, até mesmo orgulhosa em poder partilhar dessa transformação. Parece que observo uma pequenina flor disputando espaço com uma rocha sólida e resistente.
Mas o que me chama ainda mais a atenção é perceber que as forças surgem da necessidade de sair dessa "guerra" que vivemos em nosso mundo mesquinho. Que muito mais que depender da vontade do indivíduo, a mudança surge quando há união de forças, partilha - das dores e das alegrias. E sendo assim, o caminho para a emancipação se revela, diante dos olhos famintos por felicidade. E eu confesso aqui, de coração aberto, que é lindo perceber a paz no coração dos que um dia foram aflitos.
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